quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Dislexia sentimental.


Não sei mais escrever. Dei de cara com isso quando peguei a folha do caderno e tentei riscar as palavras. Antes deslizavam no papel e quando via já não havia mais papel para escrever. Mas agora é o que me falta, não, não é o papel. As palavras. Eu sei que as palavras ainda existem. Muitas, por sinal. Agora não me obedecem numa ordem de raciocínio de modo que fiquem claras e seja um reflexo perfeito de um espelho limpo do que há por dentro.
Será que por estar em branco quer dizer que esteja vazio? Não quero ser vazia por dentro. Não há nada nem amor, nem rancor. Nem pieguice toda que podem vir junto com algum sentimento transbordante. Que seja! Não sei mais escrever. E quando penso num sentimento e uma forma de por no papel o que me sai é uma ordem louca e sem regras de palavras.
Amor se, horror, quer, louca, por dentro, de forma, e. Então, isso. Foi, calor. Tudo. Sentindo...
Ah!
(...)
Que agonia não saber escrever. Que agonia não saber o que sentir. É triste estar nula de sentimentos e ficar  olhando para uma folha branca esperando um risco , um traço de alguma coisa que já passou aqui.
Vou sair. Tomar doses de alguma coisa para suprir o que não se sente mais. Vou encher a cara de amor, ou de raiva mesmo. Vou chegar cambaleando e vomitar letra por letra até secar essa falsa fonte.  Mas não vai ser verdade. Não vai não.
Acho que aquela velha historia de por tudo e sentir até a última gota me deixaram assim. Esquecera de me avisar para preparar a reserva e uma hora começar tudo de novo. Fiquei com um vácuo, sem texto, sem amor, sem emprego.  
E agora, mas nem vontade de chorar? Sequei até as lágrimas? Não pode! Elas sempre saíram aos bocados. Acabou? Passou? Alguns diriam que eu fiquei curada daquele agravante da doença... Aquilo que costumam chamar de paixão.
Sinto uma estranheza. Não sei ser assim. Só sei viver intensamente transpirando sentimentos. Tanto que nem cabem em mim e tenho que por em palavras antes que eu exploda de vez. Ai sim, eu sei escrever muitas palavras formando uma teia sentimental. Ser assim, sem graça na maré mansa não á pra mim.
Vou reaprender a escrever e voltar a reaprender a viver sem alguma coisa que eu deixei no caminho e nem percebi.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

um pouco depois.


Comeu minha comida e ainda cospe.
Lambeu a minha cria e sutilmente chuta
Vive a minha vida no meu espaço e ainda sorri.
Sorrir, nossa! Você sabe sorrir?
Desculpa, sorrir é para os cegos.
Eu, que vejo, enxergo o grunhido.
É... É isso mesmo.
Cuidado. Eu posso deixar e me manter indiferente.
Não erre!
Você já errou, eu sei...
Eu posso parecer amarga e fazer tudo que julgo certo.
Eu estou quieta. É só mais uma chance.
Faça direito. Coma escondido, não cuspa na minha frente.
Quer saber, não sorria enquanto estiver dentro do meu espaço... Você sabe.
Isto me ofende.
Mas tudo bem é pouco o tempo que você...
Se lambuze, esparrame, grite, dance, faça...
Amanhã, não me reclame da sua dor de barriga.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

À noite.



Um brinde a noite. À noite por que...
Era chuva e era noite.
Na noite onde os corpos se atraem e como se não bastassem ainda se precisavam. Era chuva. E chuva sem falar muita coisa já vem acompanhada de frio abraço e preguiça.
O gim. Ele entra, esqueçam a preguiça. O desejo é a cereja que faltava, ou seria o contrário?
O gim vem acompanho de uma dose de desejo
Doce desejo.
Sim, era doce o gim. O que de fato se tronava mais atraente.
Tudo era tudo atraente naquele ponto.
Impulso, instinto...
(um branco.)
Ainda tinha chuva, muita. Agora não tinha mais gim, só as conseqüências dele. Cheiro... Não sei distinguir. Mas era pele, pêlo, chuva. Era bem frio, mas o corpo tava quente. Um pouco de choque. O corpo já não respondia mais. Era como se programado pra isso.
Calor, chuva, pele, pêlo, toque, pele, chuva, toque... Calor, pêlo, pele, chuva, calor, toque, pele, pêlo, toque chuva, pele, chuva, pele... Toque, calor, chuva... Pele, toque, pêlo, calor, chuva, pele, calor... Calor, pêlo, pele, calor, toque, pele, pêlo, toque chuva, pele, chuva, pele.

Tinha ritmo, a noite de chuva. Sim tinha.
Já nem era mais noite, era dia ou quase isso. Já não tinha mais, não mentira, tinha. Mas não era assim.  Por algum motivo aquela noite que já era dia tinha que acabar...
Não acabou a vontade, nem o desejo, tampouco a chuva. Acabou apenas aquela noite, só aquela. Deixando aquela covarde sensação de sobremesa. Querendo tudo mais, mas deixando um pouco pro dia seguinte. Mas resto continua, por aquela noite foi só.

... E um brinde, hoje, na outra noite, para lembrar sempre da noite que passou.
À noite.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

texto 5

Talvez eu seja viciada em sofrer... Talvez seja só isso mesmo. Mas como esculpa. Sim. Não sei se você vai entender o que eu quero dizer. Mas parece que eu preciso sentir alguma coisa por você. Então você pergunta “por que precisa ser essa, por que sofrer?” E eu vou responder “claro, meu bem...” Quando eu digo que preciso sentir alguma coisa por você eu não disse qualquer coisa. Tem que ser forte, pra valer. Pra marcar um ponto na história.
Qualquer coisa eu sinto por qualquer um
(pausa)
Não ficou claro? Você não é qualquer um. Foi um grande amor. Amor? Será que você foi um grande amor? Mas foi um grande e forte. Sim intenso acho que combina mais com você. E foi. E passou para grande filho da mãe e uma grande decepção
Não chegou, nunca, a ser grande amigo. Ou foi no começo e eu confundo tudo. Mas na verdade o que mais eu sinto é que eu preciso de alguma forma, sentir alguma coisa.  
Já pensei no caso de doenças. Talvez essa seja uma. Não sei se tem remédio que funcione. Já até tomei qualquer que fez efeito por um tempo, mas passou. Passou o efeito, passou a vontade, passou remédio. Se é que você me entende.
Não sei quanto eu quero, só sei que sofro. Entende? Acho que se tivermos iguais seria perfeito.
Eu sei que preciso de tamanha importância na sua vida. Saber mais que os outros, estar mais presente que os outros, ser mais chamada que os outros.
Embora isso só precise de alguns ajustes, mas de fato eu sei mais que você do que você mesmo pode imaginar.
E eu sofro, sofro por não poder chegar perto e não parecer uma ameaça. Eu me Desculpo, afinal nunca vou parecer menos do que eu sou.
Nunca vou ser pouco se for pouco eu prefiro nem ser.
 E é o que eu faço agora... Nem sou. Apenas.
Mas sofro e vou ficar assim pra nunca deixar de ter uma ligação com você. Podia falar muito mais, muito além do que você sabe, mas ai... Seria uma ameaça de novo. Estaria usando das minhas armas pra ter o controle, cansei. Vou deixar você às cegas e sofrer em paz sem nem chegar perto.
Mas não me peça pra parar de ser assim... Eu já disse talvez eu me sinta bem sofrendo assim. Acho que é uma piada sagaz da vida, mas eu me sinto bem assim. Fico até com um charme a mais, quem sabe. 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

texto 4

E se saudade matasse?
Eu já estaria morto e enterrado em campos floridos, com aquelas flores com cheiro de campo para assim ser campo e não jardim.
Mas acho que saudade mata.  Mata um pouco a cada dia. Saudade que te prende no passado. Saudade que não te deixa seguir. Acho que isso é morrer de saudade.
Todos os dias, todas as horas.
Morrendo de saudade...
Saudade mata!
Me mata todo dia pro dia novo me fazendo querer andar para trás.
Saudade me deixa burro.
Saudade não é coisa boa. Saudade não é como sentir falta. Afinal, tem um sentido parecido, mas não é a mesma coisa.
Saudade, talvez, tenha sido uma palavra inventada para representar uma sina de maldição de algum feiticeiro. E, nós, burros, acreditamos que seja algo saudável.
Sinto falta de muitas coisas, mas a saudade me mata.
Sinto falta do café da manhã que o meu pai fazia todos os dias para a minha mãe que acordava mais cedo pra cuidar de mim.
Sinto falta, mas não me impede de tomar o café que eu mesmo todo santo dia.
Disso, eu sinto falta. Mas vivo.
Agora... Aquela merda de amor que passou por aqui e agora se foi me deixa com uma saudade que não sei medir.
não é possível amar de novo se não for o mesmo amor. Agora todo amor é uma amor de merda. Nada é grande e bom o suficiente pra comparar. Nem chega perto.
Me da uma saudade, uma saudade tão forte que me faz acordar e querer andar pra trás.
Acho que isso é saudade. Saudade é ruim.
Eu to morrendo, e é de saudade.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

texto 3

Odeio dedos levantados. Aqueles que o dedão fica pra cima, apontando pro teto, sem mais nem menos. Não, mas odeio.
Não suporto também pernas cabeludas de pelos enrolados. Fazendo uma molinha achatada, concentrados na batata da perna e quase escassos nas coxas. Não supor me dá uma coceira, uma agonia.
Pra saber, cabelos enquicrihados na nuca também me dão ânsia.
Não gosto de ver cebola na sopa, nem morder quando fritas. Parecem minhocas quando mastigo.
Não gosto, não gosto.
Não gosto de homens muito bonitos. Homem tem de ser um pouco feito pra ser um pouco bom. Homem bonito demais enjoa e acha que é tudo que precisa só na beleza. Homem com cara de homem sabe que tem que ser inteligente, sabe. Homem tem que ser quase feio.
Não gosto de gente burra, mas não gosto de gente exibida.
Também não gosto de homem com cara de bebe e corpo de halterofilista.
Odeio quando me trata como tanto faz. Igual a todo mundo. Odeio tanto que prefiro que me brigue a ter que ser comum.
Odeio bolinhas de leite no meu café, refrigerante sem gás e água natural.
Tenho horror a tardes ensolaradas, não gosto de barulho e praia.
Odeio roupa brilhosa, salto alto em festa, batom cor de rosa e cheiro de grama queimada.
Não suporto que estalem a boca pra falar. Assim, com a língua entre os dentes abrindo a boca. Prefiro calar.
Odeio tudo isso e muito mais.
Mas eu adoro quando você vem de vagar, andando com seus pés bonitos os seu pelos lisinhos e seu corpo miúdo. Falando de um jeito típico com um risinho sacana. Ou então quando fala o meu nome num tom diferente dos demais.
Gosto de te ver com raiva e sério. De cara amarrada me dando lição de moral. Goste de te ver sério. Mas gosto mais de te ver sorrindo.
Adoro dormir  abraçada.
Gosto de tudo isso em ti. Gosto de outras coisas, mas outras coisas não importam. Eu gosto é de ti.
Gosto, amo, quando tenho posse de ti na minha vida. Gosto quando tu me olhas sem querer e me pega te olhando também.
Gosto mais da minha vida assim
Não gosto de nada daquilo, mas não me importo com mais nada se gostar apenas de você.

Acho que eu to apaixonada. 

sábado, 6 de novembro de 2010

texto 3

Talvez nunca tenha amado de verdade.
Talvez apenas sonhasse em amar.
E amasse não o outro, mas o sentir.
E como não se julga... Jamais julgarei o teu amor.

Amou o desprezo, a distancia, o frio, a dificuldade e a dor.
Talvez seja nobre o teu amor por amar o que ninguém mais quer.
É... É nobre teu amor.
(...)