domingo, 18 de setembro de 2011

realmente


Era apenas imaginação. Foi quando fechei os olhos e sonhei. Acordei, como todos os dias, e continuei a imaginar. Mergulhei todos os dias na imaginação que me parecia bem mais real que a realidade.
Não esqueci a realidade dia algum. Aliais, foi isso que me incomodou durante o tempo que imaginei. A realidade era chata e acabava dando idéias a imaginação. E esta era maleável, modelável de acordo com a realidade. Por mais bizarro que fosse.
Imaginem:  que imaginei que imaginavam! Era um nível absurdo de imaginação. Tanto quanto, não saber se o que era imaginado era verdade ou o que era verdade era imaginado. A verdade era imaginária a tal ponto que não sabia quando um era o outro e o outro era um. Muito menos quando estavam em seus lugares.
Certo dia, tomei doses de verdade e entendi. Mas voltei a imaginar. Constantemente de maneira corrida e ininterrupta. Até ser acordada aos socos e ponta-pé pela Dona realidade. Amarga e invejosa.
Fique entre as duas. Sai falando palavrões e fazendo gestos inadequados, para uma moça, a realidade. Dei os braços a imaginação e fui-me embora.  Até que se tornou tão real, a imaginação, que a realidade não passou de um quadro na parede de algum lugar imaginado.



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Olhar...


Vou começar pelos teus olhos, ou seriam as sobrancelhas? Mas que seja! Estes teus olhos que pro todo o dia pareciam estar com sono, sempre meio fechados, deixando difícil ver tua alma através deles, encantaram. Mas, quando caía a noite, mesmo pequenos – os teus olhos, enchiam-se de brilho capaz de ofuscar até a lua. Estes olhos eram emoldurados por  tuas sobrancelhas que pareciam pintadas ao invés de feita de pequenos pêlos.
E a tua boca, pequena, delicada, assim como os olhos. Vivia com um sorriso despretensioso, malandro contagiando e contrastando com os teus olhos fechados de falso sono. Embora pouco, quando mostrava teus dentes – felinos – era encantador. Pois não era só um sorriso que abria. Era uma mistura de ataque. Era quase uma armadilha.
Os cabelos vinham de um tamanho só do topo da cabeça e ondulava-se como o mar até desaguar sobre teu colo. E, se não fosse um delírio meu, ele mudava de humor junto com a lua, igual ao mar. Um negro mar...
Falei dos teus olhos, sobrancelhas, a tua boca e o cabelo. Não falei do teu colo, das tuas bochechas tampouco do teu coração e da tua alma. Mas não conseguiria, nem com a mais minuciosa explicação, dizer o que os meus olhos vêm quando ficas diante deles. E a natureza parece querer brincar com a fragilidade do meu coração quando junta todas as energias no ar para fazer balançar os teus cabelos e cerrar os olhos apara poder enxergar...  


Ass: Jorge.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Não é triste.


E dizem que os escritores, principalmente de romance, só sabem escrever quando se sentem mal. Ou quando eles estão tristes demais para saber guardar a dor deles apenas para eles. A não se que eu não me encaixe em lugar nenhum de escritor, digamos que há um sério engano na cabeça dos que dizem isto.
Os escritores não escrevem quando estão tristes. Os escritores escrevem quando tem um sentimento tão maior que eles que é preciso passar para o papel antes que explodam. Escrevem quando estão felizes. E sim, também escrevem quando estão tristes. Escritores escrevem quando há sentimentos.  Escrever é uma arte e arte é sentimento.
Escreve, cantar, atuar, dançar sem sentir nada é como comer sem estar com fome. É fazer por fazer. É como sexo sem vontade. É bom, mas não tem graça. Tu finges que escreve, fazes de conta que canta, tu finges que é outra pessoa, um fazes apenas alguns movimentos.
E não é por ai. Escreve é transbordar sentimentos através das palavras. Cantar é falar com o coração e alma a melodia dos sentimentos. Atuar é ser outra pessoa é sentir como se fosse o outro é quase incorporar. Dançar é falar tudo sem usar seques uma palavra é fluir no meio de todas as outras artes.
E não só para os escritores, mas para todos os artistas, fazer alguma coisa sem sentir nada não conta. E se é triste que tu escreves o texto... Não importa o quão triste pareça, o texto vai ter alma.  Assim como qualquer outra coisa que tenha sentimentos em si.

Dominique


Voltando a viver.
“Pois é isso que sente quando se volta a viver? Quer dizer que não é apenas rir e ter momentos felizes? Quer dizer que todo esse tempo eu não estava viva?” - Eram estas e outras perguntas que rodavam a cabeça de Dominique naquela quarta-feira. – “Ter amigos é isso? Dói viver?”
E Dominique olhava nos espelho do seu quarto e percebera coisas que ela já havia esquecido no tempo em que passou sem viver.
Queria largar tudo, dia ou outro, mas agora percebera o quão bom era viver e ser ela novamente. Não ligava de estar só em alguns momentos, pois eram nesses momentos que as coisas iam para o seu lugar.
Dominique, em pouco tempo percebeu o lado bom de viver. Porque embora tenha sentido muitas dores, levado todas as pancadas que precisava – até então. Ela viu que as recompensas que ela tinha, agora que estava viva, eram mais satisfatórias.
Então, Dominique descobriu que viver, mesmo tendo contra tempos, tem suas recompensas. Que de tão prazerosas nos fazem esquecer-se dos dias ruins. E nunca mais quis viver dormindo.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Carta 1


Desisti de tudo. Hoje. Agora na verdade. Não quero mais fingir ser quem eu não sou. Mas foram tantos anos fingindo que eu nem sei mais quem sou eu, como sou, ou por que. Perdi o rumo tentando achar amor e só encontrei várias outras coisas. Menos o amor.
Hoje eu desisti de procurar por amor. Estou procurando outras coisas e uma delas sou eu... Aos poucos, quem sabe, eu vou encontrar pedaços meus que eu larguei antes de acostumar-me com eles. Pedaços, quais, eu tirei de mim, deixei para trás, para dar espaço para outras pessoas. Pessoas, “eus”.
Entrei no espírito do camaleão e mudei tantas vezes que, agora, ao olhar um espelho eu não sei dizer quem é e quem não é. Não sei se sou feliz sendo assim, ou como foi há cinco minutos, ontem...
Mas, como eu ia dizendo, eu desisti. Estou parada no meio de um caminho imaginário. Talvez essa seja a parte mais difícil, imagino. Afinal não saber o que fazer é está tão perdido quanto fazer tudo errado.
Desisti de encontrar amores, desisti de ser feliz, desisti de ser aceita, desisti de tudo. De ser simpática, amável, doce ou estúpida. Vou ser o bem entender quando quiser e quando couber. Já pouco me importo.
Não estou ligando para calafrios no corpo, nem pra palpitações à primeira vista. Não vou mais procurar amor por ai. Até aquele São Longuinho tentou me ajudar. Mas prefiro que não seja assim. Se encontrá-lo teria que pular o resto da minha vida em agradecimento.
Agora que desisti de tudo o que vinha. Talvez eu não escolha outro caminho, apenas cuidarei de mim e vou por onde os meus pés acharem melhor. Não vou esperar por mais ninguém. Vou só, pois só já é complicado demais. E se misturar estraga. Já cansei de ser estragada.
Prefiro assim. Agora procuro a mim mesma, todos os dias. Em qualquer lugar e a única pessoa a agradar sou eu. E ponto final

Antonia.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

em vão


Não quero amar por amar em vão. Viver de migalhas em forma de compaixão. Ter um pouco de amor quando se precisa de uma vida toda cheia deles. Embora quem doe compaixão aos apaixonados - loucos, insanos, descontrolados - tenha um nobre coração. Tenho pena dos que se aprisionam nessa armadilha.
Quem ama, assim, descontroladamente, como todos nós (iguais a mim, claro) amamos, sabem que somos seres completamente indefesos. Dominados por nossa vontade louca por pra fora esse bicho feroz. O que nos torna perigosos é a falta de controle sobre o que sentimos.
Lutar ou manter a fera adormecida? Não importa. Um dos dois é o pior. O pior é tentar controlar. Por pra fora o que quer dormir. Adormecer uma fera em fúria. Pois é assim que se sente o amor quando não pode agir. Uma fera em fúria.
Nem é de todo o mal quando pode ser quem ele quer ser de verdade.
Mas a merda, meus caros, é conhecer apenas o lado ruim. Aquele lado incontrolável. Então fico com medo de que o lado bom seja tão descontrolado quanto o outro. E vire tudo uma bola de neve. E penso, seria assim, então amar em vão? Seria então o amor de verdade sem muitas historias e planos, de forma que nem sentimos?