Faço por vezes e como profissão as pessoas felizes. Mas de cortinas fechadas frente ao espelho, daí após dia quando tiro nariz e peruca, sinto a melancolia voltar e assombrar meus sorrisos.
Trago sorrisos a vidas de outras pessoas por não mais possuí-lo na minha. Que há tempos se foi deixando pra trás um corpo frágil e um coração vazio. Aprendi a tirar graça da minha amargura; dos dias, as brincadeiras e das crianças a felicidade.
Vesti colorido para sabotar um preto e branco... Ou melhor, um quase cinza permanente e imutável. Pintei o rosto de colorido e feliz para maquiar um semblante marcante e melancólico que por trás dos palcos se desfaz em sentimento.
Aprendi com os dias a fazer os outros sorrirem, pois a mim não lembro como se faz. E por mais que mostre meus dentes, amasse as bochechas para contra as orelhas, enrugue o canto dos olhos... Pode até parecer, mas não será um sorriso, não será felicidade. Desaprendi o sentimento.
E os outros sabem rir, embora alguns como eu e outros bem felizes. E os faço rir. Nem que precise jogar-me de encontro ao chão e ficar pateticamente estatelado até ouvir uma sonora onda de gargalhadas. Faço isso por mim, por poder ver que ainda pode ter felicidade, embora eu não saiba mais o que ela possa ser.
Como um palhaço, agora melancólico, termina meu dia sem pintura, sem nariz, sem cor, sem riso, sem vida.
cama e mesa
24 minutos atrás



4 comentários:
Me sinto uma palhaça, por muitas vezes.
Adorei o texto.
Queria que me permitisse postar num blog que faço parte. Claro, com os direitos autorais e tudo certinho.
Posso?
O blog que pretendo postar é esse: http://pensamentosdevaneantes.blogspot.com/
Beijo.
Seu texto está de coragem.
Sua vida também.
Deixa... que a cor, se embute por trás do cinza.
E melancolia não é exatamente uma infelicidade, é como um estar no mundo sem estar e isso , às vezes, pode ser muito interessante!
Os dias de muita gente termina como um palhaço sem pintura, sem nariz, sem cor, sem riso, sem vida...
Sempre ouvir dizer que, a infelicidade era a triste verdade que se esconde por trás dos palhaços. Verdade ou não, não sei. Só sei que, muitos palhaços andam por aí sem no entanto o assumirem e, por vezes - muitas vezes talvez – também eu, ajo e reajo como um palhaço!
Parabéns pelo excelente texto amiga!
Abraço deste lado do atlântico,
CR/de
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