quinta-feira, 8 de abril de 2010

Difícil...



Você tem um sonho? Um sonho bonito que te faz acordar todos os dias; que te dá orgulho de dizer 'é isso sou eu'; que te inspira... Você tem um? Dever ter, eu sei que têm, todos tem (ou pelo menos deveriam ter). Pois bem, eu tenho um sonho. Já era de se imaginar. Um sonho bonito, bonito mesmo. Não é uma coisa que vem desde a minha infância colorida e serelepe. É uma coisa mais forte que veio quando eu já entendia o que era querer alguma coisa. Talvez um pouco tarde, um pouco fora de hora. Mas eu tinha que correr atrás. Mas o que de fato acontece quando a gente começa a correr atrás do que se quer por vezes a gente vai por caminhos errados; entra na porta errada, desvia o caminho. Mas uma hora... Ah, uma hora a gente a certa o caminho. Mas o difícil é lidar com o fato de esta hora já ser um pouco tarde pra quem perdeu a hora de começar. Mas isso nem importa mais, perdeu a hora? A gente corre mais um pouco. É o de menos... 
Dançar é lindo, lindo demais. Você se 'solta' põe para fora o sentimento que a musica transmite pelo seu corpo. Conta uma história através de movimentos é arte, arte do corpo, do sentimento da força e leveza. É lindo, lindo, lindo, lindo... OU NÃO! 
Porque é lindo quando se tem as linhas prontas pra isso; é lindo quando você nasceu pra ser bailarina; é lindo quando a cobrança da perfeição não ultrapassa a arte. Só assim é lindo, se não for assim... É feio, é triste. é um mundo feroz, qualquer coisa fora do lugar te põe pra trás, te devora como um cardume de piranhas ferozes. 
Mas lembram... É o meu sonho, eu não desisti nenhuma vez até hoje, não é agora que eu vou deixar passar. E essa frase foi dita mil vezes da minha boca por diversos motivos repetitivos. Mas que eu de teimosa caio sempre e sempre no mesmo erro. O que me faz ter a sensação de ver todos correr a maratona enquanto eu me mato numa esteira ergométrica. Tentando alcançar a chegada, mas sem me mover um centímetro do meu lugar. Os sonhos podem virar pesadelos... E o meu, o meu ta assim agora. Não fui tocada pela fada da dança quando eu nasci não... Mesmo, não nasci para ser bailarina... Eu talvez apenas mais uma vez correndo atrás daquilo que não é pra mim. E deixando de lado aquilo que me faz bem. Mas o meu sonho, embora não muito antigo, é O MEU SONHO e não sou obrigada a desistir dele. E não importa quem fale. Por mais difícil que seja eu continuo. Não por outros, mas por mim. Pra me satisfazer e dizer: Pronto, consegui!




Não gosto muito de falar de mim, mas hoje tava doendo demais.

domingo, 4 de abril de 2010

Pergunta.

Por que parece fácil?

Parece fácil porque quando a gente vai pra rua quer deixar tudo pra trás. Porque quer tudo mais fácil, não quer ser desagradável. Não, não quer. Ninguém quer ser desagradável, ninguém escolhe isso. Quer chegar na rua e sorrir, sorrir e deixar os problemas tá no comecinho. Quer fazer todo mundo sorrir sem se preocupar com nada. E quando faz isso torna bem mais fácil, o que parece difícil. Embora seja só por um momento, todos sabem... Sempre parece mais fácil. Guardar tudo de chato numa sacola opaca e sorrir na frente de todo mundo na rua e fazer de conta que os problemas só são dos outros. Por isso parece fácil. Por faces divertidas em frente as outras. Sim... Parece fácil. Porque todos sorriem com você e estão ao seu lado e ouvindo tudo o que você tem a dizer. Porque todos estampam sorrisos carimbados nas ruas todos os dias e se diz "não, não sou obrigado". Porque tudo parece agradável. Porque sorrimos na rua, parece fácil.

Por que É difícil?

É difícil porque embora você vá para as ruas sorrir com os outros, só você sabe o quanto ta doendo dentro. Por que embora te digam "vem, eu te escuto o que há com você?" no final todos sabem que não são obrigados. E no fundo todo mundo sabe que é chato não estar bem. Porque é mais fácil ficar com tudo certo do que ser um estorvo problemático. Porque todos, absolutamente todos tem alguma coisa guardada naquela sacola opaca e não quer mostrar pra ninguém. Talvez com um medo se for um desagradável e fazer as coisas escaparem pelas mãos. Porque quando se quer agradar e for agradável, a gente põe os nossos problemas para trás e encara tudo sorrindo com um aperto no coração. Porque guarda tudo do lado de dentro de casa e, não importa como esteja lá fora, a gente nunca quer parecer um problema e sim uma multidão de pessoas felizes. E principalmente é difícil, porque não superamos as coisas, apenas queremos fazê-las parecerem mais fáceis.

terça-feira, 30 de março de 2010

Mário de Sá-Carneiro

Sá-Carneiro. Poéta portugês, gordinho... Mais um atormentado pela morte. Mais um grande escritor, embora cedo se foi, por vontade própria porvando de vez o seu maior tormento. Aos 27 anos de idade vestiu-se com roupa de gala e se matou. Tudo isso só para por aqui um pouquinho da obra dele. Eu o li/ouvi pela primeira vez, faz bastante tempo e na voz de Adrana Calcanhotto, cantando um poema seu 'O outro'. Depois foi procurando que eu fiquei fã do rapaz. Foi dificil escolher apenas duas obras dele.

7
Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio 

Que vai de mim para o Outro.







 Como eu não possuo  

Olho em volta de mim. Todos possuem ---
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.

Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas a minhalma pára e não os sente!

Quero sentir. Não sei... perco-me todo...
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.

Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse --- ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!...

Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo...
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?...

Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...

Desejo errado... Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim --- ó ânsia! --- eu a teria...

Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo de êxtases doirados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante...

De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo. 





Não costumo fazer isso, mas como eu to sem tempo. Eu deixo aqui um pouco do que eu gosto. Pormeti não abandonar mais o blog. Pronto!

domingo, 28 de março de 2010

Ahá!

Tá na metade a nova novela do blog. eu sei que eu deixei o blog meio a Deus dará, mas agora eu voltei. Volei com vontade. Não vou mais abandonar, nem deixar os meus visitantes falando com as paredes.

bzus zenti

terça-feira, 23 de março de 2010

Não te agrada

Mas na essência, nada é igual. Nem os frascos do mesmo perfume, nas peles diferentes eles vão mudar. Nem os gêmeos, os olhos não são os mesmo. Nada é igual. Por mais que achemos que tudo possa ser igual, não é. Do que importa a superficialidade, no fundo, o que importa... Isso muda.

Mas o que mais importa o que tem estampado na face ou o que está escondido sob as roupas, a pele, por dentro?

O que querermos das pessoas? O que agrada ou a verdade? Teremos com a verdade então, uma vida mais feliz ao lado das pessoas? Seremos então mais amigos por sabermos a verdade ou apenas o afastaremos disto e teremos amigos novos, novas companhias, novos lugares?

Difícil escolher, aceitar como todos são. Os opostos se atraem mesmo? Saberemos lidar com todas as diferenças que estão ao redor com tanta facilidade assim, ou somos egoístas demais por pensar que somente o que é diferente em nós tem de ser aceito?

Você não gosta das minhas roupas; eu não gosto das suas músicas. Mas e a essência nossa? Muda? São tão diferentes assim que causa choques impossibilitando-nos de ficar próximos?

Perdão, eu não posso mudar o que há dentro de mim. Não são músicas, lugares, roupas e todo o resto superficial que vão mudar o que eu penso e o que você pensa.

Por mais parecidos que sejamos nossa essência não combina hilário. Somos tão iguais. Mas infelizmente o meu cheiro não te agrada.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Morrer.

Hoje eu pensava como será morrer. Quantas pessoas vão sentir minha falta? O que vai mudar no mundo se eu não estiver aqui? Como será o outro lado? Pra onde eu vou? Existe céu e inferno? Eu fui boa o suficiente pra ir pra um lugar bom? Eu já estou livre pra poder ir, ou será que eu vou ficar vagando pela terra dos vivos até um recomeço?

Foram muitas perguntas, mas como será morrer? Morrer dói? Não digo da dor física, mas alguma coisa "extra matéria". Alma sente dor? Sente alguma coisa deixada para trás? Como será morrer?

Filósofos disseram que antes de sermos corpo matéria antes de sermos 'vivos', por assim dizer, somos almas presas em estrelas e quando chegamos aqui o choque é tão grande que deixamos algumas coisas para trás. Se morrer voltaria para a estrela e recuperaria tudo o que perdi?

Quem choraria e quem fingiria, quem ia mesmo sentir a minha falta? Mãe, pai? Quem mais? Preciso de mais alguém? Talvez ficasse atormentada por não ser amada e não ser lembrada. Será que ficaria bem sabendo que há alguém que sente absurdamente minha fatal. Ou será que morreria triste e de desgosto por não ter ninguém com o coração apertado por mim?

São muitas dúvidas, muitos já pensaram assim e se perguntaram também. Será que é loucura, de nossa parte? Morrer é simples, difícil seria responder as minhas perguntas.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Cheguei à seguinte conclusão: sou apaixonada.

Não digo exatamente por alguém, ou uma espécie certa, mas por tudo. Daquela que gosta de se apaixonar, até de estar meio feriada também. Letras, músicas, sons, lugares, coisas. Com alguma coisa que vai lembrar alguém.

Que se sente incompleta de coração vazio. Meio fora de prumo. Embora que quando o encha fique mais fora de prumo ainda. Sem fome. Sem sede. Sem muitas vontades; mil sonhos e borboletinhas no estomago.

Um ser apaixonado, como estado constante, não precisa, exatamente, de alguém especial. Qualquer um já pode ser especial. E essa é a parte mais bonita, e a mais dolorida. Porque quando qualquer um pode ser UM, a coisa não tem muito controle de qualidade.

Mas, no final das contas, ser apaixonada é coisa de poeta de coração mole.