Não sei se parece mais com um calo ou uma prisão perpétua, mas desde então ela se vê presa a isso sem ter para onde escapar. As roupas que vestiu; o filme que viu e até perfume que usou. Tudo por alguns simples e claros motivos. Por ela, por ele e para eles.
O que mais doía nela todo esse tempo não era fazer tudo, até mesmo porque ela realmente gostava de tudo que fazia, mas sim por não poder ou não o ter para poder enfim compartilhar como tanto sonhou de novo. Contar daquele filme que viu e que, embora todos achassem que fosse o melhor de todos os tempos ela dormiu na metade. Não se importava de ter visto sozinha ou com outras pessoas, ela gostava de saber que ele estaria lá – daquele jeito que só ela conhecia – para ouvi-la contar, rindo da tolice que foi, ter pensado que o filme pudera ser bom.
Ela não precisava de cem por cento, não queria tudo a toda hora, nem que virassem apenas uma pessoa (se bem que nas horas que se tornavam uma pessoa só eram inimaginavelmente boas). Ela só queria o que lhe cabia de direto do outro. Um pouco o suficiente. Saudável. Metade dela e a outra metade dele. Igual e simples. Na mesma dose.
Era sabido que o que ela queria não era nada de exorbitante. Sabia que era divertido e seguro, mas tinha medo de arriscar. Como jogo, tudo ou nada.
Ela tinha medo dos dois. Ter tudo significaria ter muito, ter muito dá trabalho. E nada... Ela não sabia se nada era pior do que tem.
Era um prazer e dor fazer tudo isso. Não era por obrigação, era natural. Talvez isso que fosse mais difícil. Se fosse forçado uma hora iria parar. Mas era como respirar, falar, comer ou andar. Saia mais naturalmente que algumas palavras até.
E daí dizia como calo, pois mesmo sabendo que ele existia ela sempre iria calçar aqueles sapatos – ou outros – e sempre iria doer. Mas era inevitável muitas vezes.
Ou talvez numa prisão, outras vezes, por não ter para onde escapar. E quando e se isso acontecia sempre havia um agente competente a trazê-la de volta. Creio que ela achava que era mais seguro lá dentro.
É notável... Era bem pouco que ela queria. Era um estado, uma situação, um nome, um homem, uma coisa um tempo... Tão pouco. Compartilhar a dois e não num monólogo imaginário sem contracenar com ninguém. Falando com paredes ou inventando diálogos inexistentes com figura imaginárias de pessoas reais.
Sentir um cheiro e compartilhar; uma lágrima e compartilhar; um sorriso e compartilhar; incontáveis dias e compartilhar; abraçar e compartilhar de um mesmo sentimento e bonito que surge, às vezes, de um carinho oferecido ao vento.
É tão pouco e compartilhar. Enquanto isso ela vai fazendo e vivendo, nessa coisa que podem chamar de prisão, mil coisas, a roupa nova, a musica e até esse texto na esperança de tê-lo compartilhado. Pois cada palavra foi pensada na imagem daquele rosto tão familiar lendo-as letra por letra e entendendo cada pedaço do sentimento que ficou por aqui como uma bolsa meio vazia com algumas lembranças no fundo e nos bolsos laterais.
sábado, 12 de junho de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
textinho
E como ela pode se apaixonar por algo que nem tem nas mãos?
Está longe, bem longe. Nos sonhos talvez? Nos contos, na imaginação dela.
Está longe, bem longe. Nos sonhos talvez? Nos contos, na imaginação dela.
Ela se apaixona cada dia mais e mais. Será possível ser verdade?
Ter, ou melhor, querer ter sem ao menos provar? Desejar um doce sem nunca tê-lo sequer visto alem de figuras de livros de receita? Tanto de dar água na boca. Mas foi assim, ela se apaixonou. Por uma coisa que nem tinha nas mãos.
Menina boba, boba, boba.
No dia que provar o doce, de tanto querer, vai até enjoar.
Rapidinho e devagar.
Faz tempo - não sei o quanto – que perdi a noção do tempo. Mas agora, pouco me importa. O tempo pode ser um cara chato. Faz as pessoas correrem contra ele, faz um dia quase nunca chegar, brinca com a saudade e não se entende com distancia.
O tempo é um cara egoísta e tem o poder e o prazer de fazer tudo girar em torno ele. Não gosto, e de desgosto quebrei meus relógios e rasguei meus calendários. Só vejo o Sol e vez ou outra a lua.
Não lembro, nem conto, quanto tempo passo na rua ou em casa. Mas sempre volto quando aperta a saudade e sem me preocupar. Não sei se era ontem, hoje, ou no ano que passou, resolvo as coisas quando sinto que é o momento. As coisas pedem, gritam... Gritam alto quando querem.
Tem dias que são bem rock, uns são samba-canção, noutros tudo é bossa e alguns têm até um batuque nagô. Descobrir que musicar é melhor que contar. A gente dança os dias, deixa de contar. E sabe... dançar é bem melhor que contar. Contar cansa, desanima... Dançar não.
Mas agora que perdi a noção desse tempo sacana já não me preocupo mais. Não conto mais os dias e digo que passou tempo demais e nem que foi muito rápido.
O tempo já me deixou pra trás, mas agora eu não conto mais com ele. Eu to na minha linha, no meu ritmo. O tempo nunca mais vai ser demais ou de menos, ele sempre vai ser tempo bom . Agora, ontem, antes sambando, pulando, cantando...
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Erre.
E ela teve surtos de amor. Queria dizer paixão, mas paixão parece muito carne. E ela vai alem da carne, sente na alma. E quando teve surtos de amor. Ela só sabia que sentia e se tinha nome era vaidade, vaidade de menina.
Foi como vento de chuva que chega pegando pelas pernas e sobe o corpo de deixa despida alem de cegar. Cega por nos fazer fechar os olhos. Ele cega, mas não por cegar, nem é culpa dele, é culpa dela. E a chuva, a chuva vem pra esfriar a carne, a pele, o corpo. Mas não funciona na alma.
A alma podia ser mais quente que o sol, embora, às vezes, gelasse tanto e tão rápido que podia ser o frio em carne e alma.
E se isso fosse verão seria o mais quente. Seria o mais longo, um verão eterno. Mas talvez fosse primavera, inverno... Não, inverno não. Seria apenas quente e humano. Humano como o sentimento que ela tinha, tem.
domingo, 23 de maio de 2010
Meio bom.
Eu não tenho meio termo.
É tudo de verdade, completo. Ou nada.
Se for pela metade...
Melhor nem vir.
Não
Tenho
Saco pra meias palavras. Um pouco, um pedaço.
Tem que ser muito até enjoar, com vontade, fome.
Tipo sono,
Daqueles que bate e a gente corre pra cama.
Dorme gostoso.
Tem que ser assim, confortável e pra valer.
Pela metade já tem muito por ai
Quase fiz, quase cheguei, quase, um pouco...
Isso não cansa, não enjoa e fica, fica, fica...
Fica até perder a conta.
E perder a conta não conta,
Prefiro perder o fôlego.
E nessa de meias coisas
No final das contas, pela metade fico eu.
E já disse: nada pela metade me agrada.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Sim, as minhas mãos ainda tremem. Mas é só chegar perto. Eu ouvi falar e já fica tudo congelado. E as minhas mãos tremem. Posso jurar que se tocasse o chão o mundo ia tremer. É tudo tão estranho... O cheiro é o mesmo, o sabor provavelmente é ainda o que era. E Eu suo fazendo força para parar de tremer. Sou capaz, bem capaz, de enfiar a s unhas carne a dentro pra controlar.
E as minhas mãos ainda não pararam de tremer, tremer e suar.
E as minhas mãos ainda não pararam de tremer, tremer e suar.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Panis Et Circenses
Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei fazer
De puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na avenida central
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei plantar
Folhas de sonho no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar
Mas as pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Panis Et Circenses - Os Mutantes
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei fazer
De puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na avenida central
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Mandei plantar
Folhas de sonho no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar
Mas as pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer
Panis Et Circenses - Os Mutantes
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