quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Memória.



Eu tinha alguns poucos e imaturos anos quando vi a foto daquele filme. Ainda estava naquele meio termo entre criança e moça, não entendia muito bem das coisas da vida embora tivesse algumas certezas que perduram até hoje.

Aquela foto, o filme e a mulher. Destes não sabia o que era de verdade ou apenas uma representação, mas encheu-me cabeça de imaginações. Não sabia como ou quando estaria naquele mesmo lugar fazendo as mesmas coisas. Apenas estaria, o que se tornou mais uma das minhas certezas.

A fantasia foi tamanha que, embora imagem não tivesse cheiro, podia sentir o perfume de cada parte da foto... Podia sentir o clima de cada cena.

E hoje, não sei por onde anda a foto do filme, nem a mulher, nem sei mais o que. Mas, sei de uma coisa. O perfume ainda existe, o vinho também, batons e boa música se encontram em cada esquina, bom gosto - modéstia à parte - não me falta. Mesmo que seja imaginação fértil de criança... Não duvide dos seus desejos, não subestime os seus anseios, não embace os seus sonhos.
Já amava estudar as pessoas, já amava dançar, já amava vinho (mesmo que ainda não o tivesse provado), já amava boa música e tudo que era arte me atraia... Já era uma cabeça velha num corpo small. Que seja! Já era tudo que queria me faltava a imagem, o que menos importa, de fato.

(Ok, o filme era Bonequinha de luxo, eu tinha uns 13 anos e havia acabado de me apaixonar pela dança. Assisti ao filme ontem, e lembrei-me disso, precisava dividir.)


Adeus, até dia 21.

7 comentários:

J.R disse...

Adeus não.... É muito forte.. Até logo é melhor.

meus instantes e momentos disse...

belo texto. Muito bom.
Maurizio

clariinha.santana disse...

Delícia de texto :) Gostei muito!

Erica Ferro disse...

Que texto lindo. Tão doce de ler.

"Não duvide dos seus desejos, não subestime os seus anseios, não embace os seus sonhos."

Amei.
Beijo, Tai.
E até dia 21 (torço pra que seja antes disso).

ygor p. disse...

e ainda escreve bem.

Barbara disse...

Audrey era mulher de elegância e classe e todo o clima do filme sugere isso também.
Mas antes de morrer, ela deixou um texto lindo sobre não estar preso à aparência das coisas, sobre elegância espiritual.
Mais ainda a admirar.

Pedaços de Tempo disse...

Simplesmente, adorei o teu texto e, em particular a frase – “... Já era uma cabeça velha num corpo small. Que seja!”

Sem dúvida, que não duvidemos dos nossos desejos, não subestimemos os nosso anseios, não embaciemos os nosso sonhos e, mais importante tudo, acreditemos nos nosso sonhos e façamos todo, todo mesmo para os concretizar. Afinal, o que seria da nossa vida sem sonhos ? monotonia, um dia após outro, dias cinzentos.. Não, obrigado!!! Prefiro colori a minha vida com os meus sonhos..

Ainda bem que amas a dança, amas o vinho (espero que seja vinho português e, de preferência um bom tinto maduro do Alentejo ou Douro), amas a música, pois, são as coisas que eu também amo para além da fotografia e do mar!

Se gostas de crónicas de viagem por terras e gentes de vida simples, vê o meu post “Devagar, devagarinho, parado...” que foi publicado no passado mês de Julho em 2 dos maiores jornais de Portugal.

Um grande abraço e bjs,
CR/de

carlosribeiro-photos.blogspot.com